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Tutoriais:

TUTORIAL

CASA DA PALAVRA, ONDE O SILÊNCIO MORA

"A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre."
Elizabeth Bishop

Houve um tempo em que eu vivia numa terra de castelos e dragões. Mas houve um instante em que eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos de outras terras, quis mesmo era voltar.

"Em minhas andanças eu quase nunca soube se estava fugindo de uma coisa ou caçando outra. Nessa brincadeira passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida. E as vezes reparamos que é ela que se vai, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando."

Há, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero, aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraída, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, peteca, conversa mole, quebra-queixo. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, e as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto sua língua doi como bofetada injusta.

Ontem eu percebi que sempre, muitas vezes, no momento em que eu me transformei em transeunte, 'como aqueles sujeitos que se vê no fundo de uma foto de um cartão postal, dobrando uma esquina, ou acendendo um cigarro na porta da padaria', eu perdi uma cidade. Mas dessa vez é diferente, a cidade continua, construí aqui o meu castelo. E talvez, desta vez, tenha aprendido a domar os dragões. ;-)

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