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Sobre decorar, uma discussão

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Gosto. Quanto mais eclético é o nosso gosto, maior é o risco de termos muitas coisas que não funcionam bem juntas em um mesmo espaço. Quanto mais variadas são as coisas e estilos que gostamos, maior é a chance de nossa casa parecer uma penteadeira de cigana. Para o bem e para o mal. É muito simples a razão: afinal, quem edita a própria casa como um todo? Somos muito emocionais e impulsivos quanto à decoração e às compras, e nem deve ser muito diferente.


Planejamento. O comum é é escolhermos móveis e objetos com o tempo e aos poucos, e fica faltando um plano ou uma imagem mental de como queremos que o espaço seja lá no fim. E então mudamos de ideia muitas vezes e compramos coisas sem pensar muito. E estamos sempre durante a decoração de nossas casas. Ou você pode dizer que sua casa está pronta? Pensar e planejar demanda foco, e isso é algo bastante desafiador quando se trata de nossa própria casa e de nosso orçamento. Mas é exatamente aí que devemos começar.

Orçamento. Me diz aqui se você tinha um orçamento fixo desde quando se mudou pra sua casa? Raro, né? Mas você pode fazer isso agora. Pense no quanto você está disposto a gastar, encare a lista do que você precisa, e se conforme com o tempo que isso irá levar. Esse é um dos ensinamentos da decoração: paciência.


Tudo novo? Acredito que não é interessante comprar tudo de uma vez e tudo novo (mesmo aqueles que podem pagar), porque leva tempo para sabermos como nos sentimos em/sobre um espaço e o que realmente precisamos. Outro dia li (ouvi?) alguém se perguntar: "- Mas como não se ter um vasinho pra levar pra casa nova? Uma escrivaninha de infância? Uma mesa de canto?" Decoração é memória. Ter uma casa toda nova é renegar a própria história, e isto dificilmente é psicologicamente saudável.


Então como?  Comece listando o que você precisa e o que você já tem. Foque no básico e tente ser racional com as escolhas, especialmente quanto a móveis maiores e mais determinantes, como mesa de jantar e sofá. Considere se programar financeiramente para comprar peças que você realmente ama, mesmo que sejam mais caras. Pense em gostos mais duráveis: um móvel que você ama de paixão há teeeeempos, dificilmente você vai querer trocar quando tiver, e isto sim é financeiramente interessante. Pense também em móveis com mais de um uso, uma mesa que aumenta e diminui, nichos que podem ser reposicionados em outros ambientes, e que tais.

Ajuda profissional? Projetar e decorar não são a mesma coisa. Pra projetar é muito bom ter uma ajuda profissional. Isso pode te economizar dinheiro na hora de decorar, ao mesmo tempo que facilita chegar a um objetivo - já que conhecer o destino (o projeto) facilita o caminho. Um bom designer tem experiências de materiais, fornecedores e 'edição' de ambientes que fazem valer o preço. Considere essa possibilidade.

E agora, me diga o que acha disso tudo?

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Bancada faça-você-mesma

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A Claudia deixou uma mensagem no Facebook: "Vivi, esse final de semana revesti a bancada da cozinha, inspirada no Dcoracao. Muito obrigada por partilhar tantas dicas maravilhosas com a gente." :-D


Ela usou papeis de presente, que cortou em quadrados 20x20cm e colou na placa de mdf com cola em bastão.


Fez os acabamentos laterais do mdf, colocou vidro pra proteger, e ganhou uma bancada linda e exclusivíssima. ♥

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Marcel Breuer

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Por Stella Cavalcanti


Marcel Lajos Breuer (1902/1981) nasceu na Hungria, lá no centro da Europa. Seu nome já é de difícil pronúncia (Brroier), mas ele tinha um apelido pior: Lajkó.

Breuer estudou na primeira turma da Escola Bauhaus - tendo Le Corbusier, Mies van der Rohe e Walter Gropius como professores - e cresceu dentro da instituição, sendo professor e até diretor. Durante este período, criou a cadeira que se tornou seu maior sucesso: a Wassilly, uma homenagem ao pintor Wassilly Kandinsky. Mas onde tem fato, tem fofoca, e há controvérsias se ela foi feita especialmente pro Kandinsky ou se foi batismo de ocasião.


Breuer saiu da Bauhaus e trabalhou como arquiteto e designer de móveis, com ênfase no uso de aço tubular. Então veio a Segunda Guerra e ele, como tantos de sua geração, fugiu dos nazis. Foi para Londres, onde trabalhou principalmente com arquitetura.


Em 1937 mudou-se para os Estados Unidos, e foi ser professor em Harvard - onde reencontrou os colegas da Bauhaus Mies van de Rohe e Walter Groupious. Como professor - e depois, como diretor do departamento de Arquitetura de Harvard - influenciou toda uma geração de estudantes.


Nos Estados Unidos, seu trabalho se focou na arquitetura, com projetos como o Whitney Museum - e Breuer foi saudado como um dos últimos arquitetos funcionalistas.


E Breuer continua sendo sinônimo de elegância. Ó quem tá lá pra afirmar que a mansão da Cristiane Torloni na novela é chique...

♥ A série Clássicos do Design é patrocinada pela Essência Móveis, que tem várias dessas peças de mobiliário, inclusive miniaturas.

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Quarto lindo

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Tenho duas coisas a dizer. A primeira é que planta no quarto? Poooode. Um mondigente me corrigiu a superstição um outro dia.


A segunda é que cabeceira de cama é bem útil, pra quem tem tv e se senta na cama, pois evita sujar a parede. Não sendo o caso, como diria marido com o pé fincado nos tempos de designer trapista, é "excesso de material".





Quarto da designer Annily Green. Ela usou o couro dourado que sobrou das almofadas numa instalação. Fiquei aqui achando interessante, pois interrompe as toneladas de branco.

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Lustre ninho de guaxo

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Quando meu pai quer dizer que uma coisa tá embolada, dispara "tá pior que um ninho de guaxo!". Não conhece? Te apresento. Se eu já vi um guaxo? Acho que nunca.

Então é isso, esse lustre. Um proto-ninho de guaxo. Mas difícil de fazer não é. Então se você curte, mãos à obra. A fonte explica bem como fazer.


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Lancheiras

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Por Magnolia Brussi

Nesse pequeno povoado inglês onde moro, tem gente que deixa o motor do carro ligado enquanto espera os filhos na porta da escola. Tento fazer minha parte pelo meio ambiente (não, não vou chutar a porta do carro desse ser ignorante que deixou o motor ligado como tenho vontade, serei mais civilizada pois sou moça fina).

Eu andava procurando por uma opção pra substituir os saquinhos plásticos do lanche das crianças. Quando vou buscá-las, elas estão famintas. Então tenho que levar algo comigo. Moro do lado da escola, vou a pé e não há necessidade de levar bolsa, mas me incomoda muito saber que esse saquinho vai pro lixo e demora uns 125 anos pra se decompor. Além disso, sou apaixonada por moda e ai eu encrenco com a feiúra do plástico.

Daí fiquei super feliz quando encontrei essa bolsinha chamada Lunchskins na loja do MoMA em Nova Iorque. O tecido foi desenvolvido na Europa, onde é usado por padarias e confeitarias. É resistente ao calor, durável, food-safe e dá pra ser lavado na lava-louças. Sendo assim, pode ser usado centenas de vezes.

Fora isso o design é bem bacana. As estampas são bonitas e agradam tanto adultos como crianças. Dá até pra escrever o nome do dono no topo da bolsinha.

Ai que graça, vou arrasar na porta da escola.

Magnolia Brussi é paulistana, mas saiu do Brasil aos 22 anos com uma mochila nas costas e um diploma de universidade que não sabia se iria servir pra alguma coisa. Morou em alguns países europeus e hoje mora na Inglaterra, e estuda Design de Interiores.

♥♥♥

Pitaco da Vivianne:

Guardanapo 'quincasa é só de tecido, então claro que adorei. Mas acho que "food safe" algodão também é. E por esse ser um produto gringo, vamos ver as opções?


Tia Martha ensina a fazer o 1 e o 2. Acho que vai bem um tecido plastificado, lembra? E o DesignSponge ensina a fazer o 3, com visual de folha de caderno. E o modelo do Lunchskin é até mais simples.

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Cara a tapa #10

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Por Carolina Mendes
Vamos igualar um pouco as coisas.

Tudo bem que eu vou dar a cara a tapa, ou o quarto a tapa e vou ser julgada e ofendida pessoalmente, mas foi a única forma que eu encontrei de igualar um pouco a brincadeira com vocês. Que a Liga das decoradoras Catolicas se esbalde fazendo comigo o que eu sem saber faço com elas. Provaremos que gosto, como bunda, é da conta do dono. E que o importante é usar como te faz feliz. O gosto e a bunda.


Realmente o limite vai ficar no quarto, por enquanto. Como os leitores habituais devem saber, me mudei recentemente de apartamento. Este com 60 metros quadrados a mais que o anterior, mas em um prédio mais antigo tem vantagens e desvantagens.


Primeiro, tem um quarto a menos. A solução foi então colocar a caminha do castigo, forma carinhosa que temos de chamar a cama de solteiro que ficava no quarto de hópedes/escritório, no meu quarto, no pé da minha cama. Sim, o quarto é suficientemente grande.


Segundo problema: não ter escritório. Aí vocês podem dizer que eu poderia ter feito o escritório no meu quarto e ter tirado a caminha do castigo. Só que eu nunca gostei de escrever enfiada no quarto. Com quase 60 dias vivendo aqui, percebi que a área mais ensolarada do apartamento é a lavanderia.

Montei estante a mesa por lá. Ainda meio que penando com o sinal da internet, que oscila, mas feliz demais com os meus livros desencaixotados. Eu sei que tinha dito que iria ficar no quarto mas tinha que explicar porque não vai aparecer uma mesa nas fotos.

Terceiro: (começam as vantagens) Chão de tacos. Na verdade é no apartamento todo. Eu sei que vocês irão dizer que atrai pulgas e não é pra qualquer um, mas aqui temos tacos e cachorro. Na verdade cachorra, Maria Perra. Nunca teve pulgas, embora vira- latas. Faço votos e aposto que continuará não tendo.


Quarto: meus quadros. Mais do que estilo ou opção decorativa, eu preciso ter alguns quadros perto de mim. Infelizmente, embora bem espaçoso, não tenho paredes suficientes a acabei pendurando várias peças nas 3 paredes disponíveis.


Tenho aí a cama, de casal sem cabeceira pra caber o quadro, o móvel da década de 70 que era uma estante, mas a parte estante foi serrada, e virou uma cômoda. A cadeira de balanço que era do meu pai e que foi comprada 30 anos atrás em um leilão, e meu criado- mudo.

Sobre o criado mudo: eu sei que é de madeira marfim e que marfim é cafona. Mas é de madeira marfim MESMO, maciça. Meio dó de tingir. Nisso vocês podem palpitar. Sugestões Vivi? Tapete persa de trocentos anos, e meus objetos expostos. E chega.

TV tá sobre o móvel mas está desligada. Nunca vejo tv no quarto. Só dvd no computador, na cama, ou livros. Nada decorado, só minhas coisas do jeito que eu gosto e no alcance da mão.

Pronto. Podem me massacrar. Tentei ser o menos afetiva e imparcial possível. JULGUEM, SUAS LINDAS.

Carolina Mendes é paulistana, escritora e implicante.

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Imobiliária de design?

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Um dos sites que, na minha opinião, mostra os interiores mais bonitos da web, é o sueco Alvhem Makleri. O mais curioso? É um site de locação e venda de imoveis. Isso mesmo, uma imobiliária. Mas as fotos não deixam barato pras melhores revistas de decoração. Aliás, muitos imóveis nessa imobiliária chegam a ganhar uma revistinha, disponível pros interessados.




Fico aqui pensando com meus botões que isto nem é tãaaao difícil de fazer assim. Porque vamos combinar, vivemos a era da fotografia. Todo mundo tem uma câmera digital. Muita gente tem facilidade no fotoxópi, pra melhorar o que já é bom. E essas facilidades todas levam a termos hoje mais fotógrafos bacanas que no tempo dos nossos pais. Então por que mais imobiliárias não investem nesse nicho?



"Ah, por que as nossas casas não são naturalmente tão bem decoradas." Whaaat? Concordo muito não. Vejo casas lindas o tempo todo, ainda mais quando se pensa em imóveis do segmento AA. E se não temos tantos móveis de design clássico é, talvez, por não valorizarmos tanto nossos designers brasucas.



Será porque não dá tempo? Será que o nosso mercado imobiliário é tão aquecido que os imóveis não esquentam acento, e não é necessário fazer nada disso? A se pensar.




O fato é que entro sempre nesse site. E como com os olhos, namoro cada detalhe. Viu as lâmpadas da cozinha? A bossa do ladrilho em frente ao fogão? Os armários-coelho e a pontinha do lustre de tsurus mais lindo do mundo, da Tas-ka? E isto tudo num mesmo apartamento. Só fico pensando em como-é-que-é-que o povo tem coragem de vender um apartamento desses.

♥ No Brasil a gente tem a Axpe, que tem um conceito semelhante, e uma seção só de arquitetura de autor.
♥ Você já curtiu o d♥ no Facebook? Nãaao? Então curte agora! :-D

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Os grandes mitos dos pequenos espaços

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Mito 1: Só tenha móveis pequenos

Pé da letra não costuma ser saudável. É óbvio que não dá pra enfiar vários móveis grandes em um espaço pequeno. Mas ao invés de pensar no tamanho do móvel, pense em sua utilidade.



Assim: uma mesa pequena deixaria mais espaço livre. Mas se você só tem espaço pra 1, se trabalha nela, e ainda é ali que serve o jantar, ter uma mesa pequena só vai te deixar triste e pensando que poderia ter uma mesa maior.


O espaço de circulação fica ruim mesmo? Apele pra marcenaria, tenha móveis versáteis, pra ficar no exemplo da mesa, uma que dobre, ou se estenda. Ou radicalize, como na foto acima.

Mito 2: Reino das paredes brancas

Claro que paredes brancas e limpas deixam o ambiente arejado. Mas não existe isso de ganhar metragem porque suas paredes são brancas. Você continuará vivendo em um apartamento pequeno - mas de paredes brancas. E de novo: tudo em decoração é sobre como você se sente.



Quer uma parede escura ou até preta? Vá fundo! Não se sinta triste por não poder ter. Tristeza -> isso sim faz o ambiente parecer menor.

Mito 3: Ambientes pequenos parecem sempre bagunçados

Responde aqui pra tia: o ambiente se auto-bagunça? Bagunça não tem relação direta com tamanho do espaço, a relação é com o bagunceiro que mora ali.



Mito 4: Evite estampas

Em pleno este ano, quem tem medo de excesso de informação? A gente tem medo é de ambiente sem harmonia, e isso depende demais do gosto pessoal.



Se você gosta mesmo de estampas, mas não gosta de errar de jeito nenhum, opte por estampas no mesmo tom do resto do ambiente.

Mito 5: Tenha apenas 1 ponto focal

Ponto focal é aquela peça que puxa o olho. Um quadro colorido, uma cortina estampadona, uma escultura.


Então já sabe, né? -> Rá. De novo. Casa pequena é casa triste (e de maneira nenhuma quero dizer que casa bege é triste, isso é outra coisa). E as coisas que a gente vive, os lugares que a gente vai, de alguma maneira devem aparecer, felizes, na casa da gente. É, só não vale artesanato "fui a ___ e lembrei de você".

Livremente inspirado em matéria do Style at Home. Todas as imagens são do Small Cool.

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