Falávamos de filosofia e o escambau. Voltávamos embriagados, não de vinho, mas de idéias.
(Lembra Max? "E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.")
Então dia desses recebi um email do Max:
"Seinfeld dizia que ser pai traz uma sensação de poder, de olhar de cima pra baixo para o resto dos mortais e dizer "EU sei fazer as minhas próprias pessoas"... Aí, domingo fui buscar uma amiga que estava fazendo concurso na UFMG, e sentei debaixo de uma árvore pra tomar sol, de olhos fechados – veio um porcariinha de dois anos e sentou no meu colo! E a irmã com asas, acho que da primeira comunhão ou algo assim: peguei o mocinho e fiz avião com ele. Ah, pra quê: vieram TODOS os meninos que estavam lá pra eu “ensinar a voar”. Deu vontade de roubar um pra mim e sair correndo. Ontem fui ver o Forrest Gump de novo, adoro aquelas cenas finais com o mininim dele. Acho que eu é que vou começar a pensar em fazer minhas próprias pessoas - daqui a uns anos, acho, quando tiver tempo de passar boa parte do dia brincando e contando histórias, que vou aproveitar pra ter infância de novo.
E só por isso falemos de novo de quarto de criança. Pra dar um empurrãozinho...



