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Tijolinhos vermelhos

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Por Magnolia Brussi

Quando morou em Londres, Caetano Veloso se queixava das casas de tijolinhos todas iguais. Eu, que vivo na Europa há algum tempo, passei os últimos 17 anos cismando com os tais tijolinhos. Agora, estudando design de interiores na Inglaterra, sei o que eles representam e tenho uma história para contar para vocês:


O Arts & Crafts foi um movimento estético e social inglês, da segunda metade do século XIX, que defendia a individualidade e o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa. Nada mais natural que resgatar o produto local, feito por mãos locais.

Tijolos de cerâmica existem desde sempre (7500 a.c.), e a cor dos tijolos varia de acordo com os componentes minerais presentes na terra. Tijolos vermelhos indicam uma terra com bastante ferro, lembra a cor da ferrugem?


Mas foi com o ícone do Arts & Crafts, a Red House, que os tijolinhos vermelhos entraram em moda, pois apesar da aparência de produzidos em massa, eram na verdade feitos à mão por artesãos locais.

É claro que já existia uma tradição de casas de tijolinhos, mas elas também viraram moda no fim do séc. XIX. A redundância fez com que se tornassem onipresentes, e também criou um paradoxo: um movimento que queria enfatizar a individualidade acabou criando casas com as mesmas caras.

Mas meu amigo, se um dia se deparar com uma casa de tijolos vermelhos, não a subestime pois ela é uma senhora de princípios.

Magnolia Brussi é paulistana, mas saiu do Brasil aos 22 anos com uma mochila nas costas e um diploma de universidade que não sabia se iria servir pra alguma coisa. Morou em alguns países europeus e hoje mora na Inglaterra, e estuda Design de Interiores.

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Arne Jacobsen

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Por Stella Cavalcanti/Vivianne Pontes

Pense em começar de baixo, e me dê um exemplo. Te dou um melhor: Arne Jacobsen foi pedreiro, e chegou a ser um dos maiores arquitetos europeus. Ele projetou prédios, móveis, talheres, até tecidos e cerâmicas, sempre com um olhar moderno e minimalista. Arne Jacobsen (lê-se "iácobsen") foi professor de arquitetura na mesma faculdade onde se formou, abriu um atelier em 1930 (nasceu em 1902) e trabalhou até morrer, em 1971.

Muito do que ele fez chegou até nós através de filmes, séries de tv ou releituras e, por isso, é tão familiar. Dê só uma olhada:

O bom design é assim: atemporal. Quem poderia dizer que estes talheres são de 1950? Stanley Kubrick, diretor de 2001, Uma Odisséia no Espaço, usou esses talheres no filme, por seu visual minimalista - e é muito mais legal comer com talheres do que engolir as pílulas de comida que diziam que alimentavam os astronautas, né?


E agora o causo: em 1963, o Secretário de Estado da Inglaterra, John Profumo, teve um caso com a dançarina Christine Keeler. Era o tempo da guerra fria, com o capitalismo de um lado e o comunismo do outro - e acontece que a moça também namorava o adido cultural russo Yevgeny Ivanov. O mundo quase se acaba na Inglaterra naqueles dias, e Christine posou nua, sentada em uma cadeira Jacobsen, em uma foto que se tornou um ícone daquela geração.


Só que a polêmica do escândalo Profumo não parou por aí: há quem diga que a cadeira da foto nem é  Jacobsen.

Uma obra fantástica do Arne Jacobsen é o Hotel Royal SAS de Copenhaguen, o primeiro design hotel da história. Da planta aos móveis, das maçanetas aos cinzeiros: seu design está em quase todos os lugares; por isso, o hotel também é conhecido como o Prédio Arne Jacobson. As cadeiras Swan e Egg foram criadas para este projeto e fazem parte da sua decoração - e dos sonhos de consumo de muita gente também. Quer ver o hotel com seus próprios olhos?


♥ A série Clássicos do Design é patrocinada pela Essência Móveis, que tem várias dessas peças de mobiliário, inclusive miniaturas, e muitas outras por um preço bastante interessante.

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Escritório bonito em casa

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Hoje eu vim pra pedir. Você tem um escritório em casa - tá, home office se você prefere - lindo demais? Cheio de soluções bacanas para pequenos espaços? Mostra pra mim? Publica no mural do d♥?*

Os mais bonitos e com soluções mais interessantes vão ser publicados numa matéria de revista. :-)

Então bora lá?

* Plis, não manda por email, que esse vive pela hora do abismo, sem espaço.

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Uma casa de verdade

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"Oi Vivi, tudo bem?

Meu nome é Maria Julia, moro no interior de São Paulo e depois de muito pensar, decidi mandar para você um pouco da minha casa e da minha vida.

Há tempos leio o d♥. Na verdade é o primeiro blog que sigo. Caí de pára-quedas nele após meu casamento. Sabe como é, começo de casamento, minha casa estava quase que vazia de moveis e precisava de idéias para literalmente encher minha casa, que até então contava apenas com itens básicos, como mesa de jantar, sofá, cama e eletrodomésticos essenciais.

Nunca gostei de decoração com cara de capa de revista e quando encontrei seu blog o que eu nem imaginava que gostava de repente começou a tomar forma bem ali, na minha frente. Todas as fotos eu amava, os seus comentários em cada post pareciam uma aula para mim. E a partir daí comecei a me aventurar neste mundo tão legal.

Minha casa tem a cara minha e do meu maridão. É tudo muito pessoal, os móveis quase todos possuem uma história, a maioria foi garimpada em lojas de moveis antigos e até mesmo em caçambas de lixo, hehehe.

Alias você vai perceber que eu adoro uma coisa antiguinha...


Essa janela encontrei em uma caçamba na rua. Meu marido deu uma limpada nela, passamos uma lixa e coloquei como um quadro na parede. Reparou no passarinho em cima do vaso???


Na sala de TV, tenho uma mesa de pallet que eu acho linda, modéstia à parte. Deixei o pallet na cor original, apenas passei uma cera e coloquei um vidro por cima e rodízios. A idéia desta mesa foi você quem me deu. Os puffs são feitos pela minha querida mãe e são de garrafa pet.


Para o meu quarto, pintei este banquinho de amarelo, e o utilizo um criado mudo. Isso foi uma copia escancarada do seu quarto, hehehe. Como as almofadas são feitas por mim e pela minha mãe, eu as troco constantemente e consigo estar sempre mudando a cara do quarto. Deu pra perceber que estou numa fase meio romântica, né? Ainda bem que marido é um santo e não implica com as cores que escolho para as almofadas.

Na sala de jantar tenho um carrinho de bebidas antigo lotado de copos antigos coisa que eu amo de paixão, a maioria herança da vovó. Na parte de baixo coloquei garrafinhas de vidro de azeito, suco, cerveja, etc para enfeitar. Esta cadeira azul eu que pintei. Esta parede eu pretendo encher de quadros com fotos e pôsteres. Também estou terminando um quadrinho de bastidor de madeira. Será que vai ficar bom?

Esta cadeira Wassily eu comprei por uma merreca em uma loja de moveis usados. Passei, vi e dei um grito dentro do carro. Meu marido praticamente estacionou no meio da rua em frente à loja. Olhos afiados, graças ao d♥.

Este móvel é uma antiga penteadeira que herdei da minha avó. Ela era toda pintada de preto e um marceneiro super de confiança retirou a tinta e separou o espelho para que eu fizesse um aparador.


Este guarda livros meu avô fez para minha mãe e minhas tias quando elas começaram a estudar, também estava pintado de preto. O mesmo marceneiro retirou a tinta e hoje eu o uso como uma cristaleira.


A minha cozinha é toda branquinha então tento colocar cor nela, enchendo de detalhes coloridos, como a mesa que meu marido pintou de laranja e algum utensílios bem coloridos. Este é o lugar que a gente mais gosta de ficar na casa, pois amamos cozinhar.

A nossa casa é assim. Tem a nossa cara, nosso jeito e tudo o que gostamos. Acho que não tem outra igual por aí, né?

Adoraria receber uns pitacos e umas sugestões suas para minha casa. Nossa ficaria muito feliz em receber umas dicas personalizadas, hehehehe.

Acho que é isso. Decidi te mandar este e-mail só para que saiba o quanto eu estou agradecida pela ajuda que você deu para deixar o nosso canto do jeito que a gente sempre sonhou.

Um grande beijo,

Maria Julia Magioni Mariotto

PS: o e-mail ficou enorme, né? Me desculpe. Adoro escrever e acabo me empolgando, hihihi."

♥♥♥
Faz tempo que não consigo ler todos os emails que me chegam. E toda vez que encontro um como esse, perdido, abandonado, quase amarelado, além de uma tristeza profunda, me auto-prometo ler todos, de agora em diante. E a Maria Julia tem um Juanito Mequetrefe! ♥ Delícia de casa. :-)

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Iluminação de salas

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A boa iluminação tanto torna o ambiente mais bonito, quanto a sua vida mais fácil. Sim, mais fácil! Assim você não precisa aguardar a luz do dia pra costurar aquele botão, ou pra tirar o pelinho da sobrancelha, porque suas luzes são fracas. E nem precisa morrer de calor embaixo do "lustre esquenta-marmita". Que tal aprender melhor sobre iluminação?

Comecemos pelas salas.

Salas de estar e jantar costumam servir a várias funções ao mesmo tempo, então o ideal é que sua luz acompanhe a diversidade de atividades,

Essa iluminação precisa essencialmente de flexibilidade para ser ao mesmo tempo aconchegante em momentos intimistas de conversa entre amigos, pontual para hábitos solitários como a leitura de um livro, baixa para festas e reuniões sociais, central e com boa reprodução de cor para a mesa de jantar. Parece difícil, mas não é.

A primeira etapa é listar as demandas. Fazer um esboço simples com as principais atividades do ambiente, é fundamental para o sucesso da iluminação.


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Showroom #8

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Por Carolina Mendes

Eu visito as casas das pessoas e a impressão que eu tenho é que foi tudo comprado em um catálogo da Tok Stok. Até casa de rico tem tudo o mesmo jeitão, só melhora o nivel do catálogo. Padronizou. Tipo nariz de plástica: existem 8 modelos de casa, que variam de acordo com a classe social, sendo que cada classe tem 2 opções de decoração: bege/branco/cinza/fendi e colorido.

Já comentei aqui que trabalhei durante muitos anos em uma galeria de arte? Pois trabalhei. Coisa mais comum era chegar a cliente toda pintosa, de bolsa de milhares de reais e relógio masculino (rica moderna usa relógio masculino), e começar o discurso:

- Oi, eu preciso de um quadro pro meu living. (Rico não tem sala, tem living.)
- Claro. E você tem alguma coisa em mente? Alguma idéia que te agrade? Me fala mais desse living...
- Então, eu fiz uma coisa bem bacana. Com bastante branco pra ter luminosidade. O sofá é fendi e os móveis são de madeira tabaco.
- Nossa que bacana. Deve ter ficado lindo.
- Eu acho que ficaria interessante jogar uma cor nos quadros.
- É uma boa ideia. E você gosta de quais cores?
- Ah, eu pensei em alguma coisa quente. Um vermelho.

AH MA CEMIJURA?

Cadê criatividade, gente? Não faz assim não, você é linda demais.


Quando você transforma sua casa num catálogo de decoração, você se equipara a amiga dona de casa que compra um conjunto de estofados Astúrias, 2 e 3 lugares + rack + conjunto de jantar Veneza. Pelo simples fato que esmaga qualquer traço de personalidade (estamos supondo que você tenha personalidade), e privilegia pressa, funcionalidade e status.

Dica: não precisa gastar grana com arquieto badalado. Compra uma revista qualquer, vá numa loja de decoração qualquer e pronto: casa de bacana pra impressionar a cunhada.

Isso sem contar a febre por móveis planejados. Sua casa direto da marcenaria com gavetas e portinholas em todos os cantos possíveis e imagináveis. Tô vendo o dia em que o raciocínio "conjunto de moletom sob medida" vai chegar no extremo das pessoas voltarem aos malditos móveis de alvenaria. PAVOR de móveis de alvenaria. Pavor de tudo que era pra ser "móvel" e não sai do lugar.

Ai, não sei o que é pior. Acho que prefiro os móveis daquela loja da propaganda gritada, que são desenvolvidos pra anatomia alienígena. Tudo anatomicamente incorreto.

Anos atrás, quando você ia ao McDonalds, depois de pedir tudo que queria, a mocinha do caixa perguntava: sundae acompanha?

(Um parênteses: só eu reparei que todas as atendentes do Mc tem bigode? Ok, não são todas. Mas enorme maioria. Será que é alguma coisa na comida? Outra: já perceberam que o funcionário do mês nunca está na loja pra te atender? Podem tentar chegar no Mc mais próximo e pedirem pra serem atendidos pelo funcionário do mês.)

Talvez a nossa vida tenha virado isso, um objeto de desejo que quando se conquista nos leva a outra fonte de cobiça, e mesmo a gente tendo entrado no Mc pra comer só um cheddar, sai com um número e mais a tranqueira do Sundae. Só que é um conjuntinho de vime e um cachepot vitrificado pra colocar a orquídea branca no móvel da sala.

CA-FO-NA.

Carolina Mendes é paulistana, escritora e implicante.

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Onde colocar a planta? Ué, pendura no teto.

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Me perguntaram como a Anna Garforth pendurou os vasos no poste. Simples! Buraquinhos no vaso-cabeça e lacres de segurança abraçando o poste e passando pelo buraquinho. Mas né? Quem tem poste em casa? Mal tenho parede. :-/

Eu pendurei o meu com barbante tipo alça mesmo, que aquilo é uma obra em progresso (embora eu deva admitir que a hortelã tá alegrinha). Mas no processo, achei esse esquema de macramê, ultrafácil, e que além disso tem tutorial. Solução guaraná-com-rolha, que de tão antiga parece nova de novo. Ah, o link do tutorial, já ia esquecendo ;-)

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E o bordado subiu pelas paredes

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A primeira vez que vi ponto cruz numa parede, foi num antigo post do Apartment Therapy. Gostei tanto que guardei a foto, olha só:


Depois vi a casa da designer Eline Pellinkhof no Bloesem. E aí você já sabe, né? Bastou.


Então eis-me aqui, morrendo de vergonha (existe auto-vergonha-alheia?) querendo te ensinar como fazer também.


E meu beijo pras meninas do Bolsa TV, que fizeram o vídeo comigo. Agora tô indo ali, me esconder atrás do sofá.

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Papo-cabeça

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Desde que vi os cachos da medusa se auto-movimentarem na Sessão da Tarde, que cabelos verdes me provocam medo e fascínio, numa proporção confusa. Eis que - ora ora, vejam só - recentemente os "head-planters" viraram uma ondinha na gringa.

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Mas foi quando vi o trabalho da Anna Garforth (abaixo), que recicla garrafões plásticos, que pensei: ueba! Ela espalha esses vasos de planta pela cidade, e isso é mais legal ainda.


E resolvi fazer o meu. Resultado? Bem, há uma linha tênue, muito tênue (existe tenuíssima?) entre o objeto reciclado com valor de decorativo, e o com valor de trabalhinho-de-escola-feito-de-macarrão (=só valor sentimental mesmo). O meu ficou um trabalhinho-de-escola-feito-de-macarrão. Veja você:


Mas a esperança é a última que agoniza, e até antes do dia das crianças vou aprimorar a técnica pra ensinar no ExtraExplica. Quer conhecer outro trabalho nesse sentido? Eric Barclay. Olha só:

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Mesa de balas

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A ideia de fazer uma mesa só de balas, balinhas e pirulitos, pode soar meio estranha. Mas contra fofura caem todos os argumentos. ;-)

♥ Se você lê pelos feeds e não consegue ver o vídeo, clique aqui.

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Cualquier Verdura - Buenos Aires

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A Maria que indicou. E sacumé, mandou, eu fui. A Cualquier Verdura é uma loja com cara de casa, com roupas no quarto, vasilhames na cozinha, e móveis em todo lugar. Mas o que dá mais carinho é essa etiqueta "nos dá pena vender". Posso com isso?







A Cualquier Verdura fica na Humberto 1º, 517, em San Telmo, quase de frente pra esse gato.

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Charlotte Perriand

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Por Silvana Rubino*

Visualizemos a cena. Uma jovem linda, de 24 anos, bate à porta do ateliê do já famoso Le Corbusier e pede para trabalhar com ele. Sua resposta? “Não bordamos almofadas aqui”. Um rompante de misoginia do famoso arquiteto, mas por outro lado a escola da União de Artes Decorativas, freqüentada pela moça, tinha bordado no currículo. E os arquitetos modernos tinha declarado guerra aos ornamentos…

Só que dias depois Le Corbusier e seu primo e parceiro Pierre Jeanneret foram visitar o Salon d’Automne e—surpresa! – a moça fazia móveis em metal, em um momento em que Corbu vinha sendo criticado pela pobreza de seus interiores. Contratada sem vencimentos, Charlotte Perriand (1903-1999) passou a cuidar dos interiores das casas projetadas pela dupla Corbusier-Jeanneret e a pensar nos móveis da casa moderna: a máquina de morar deveria receber equipamentos de habitação.


Alguns móveis que ela fez para seu apartamento, como a cadeira pivotante hoje conhecida como LC7, passaram a ser assinados como Corbusier-Jeanneret-Perriand. Foram dez anos de colaboração e ela foi convidada a deixar o ateliê em 1937, não sem antes desenhar cadeiras e poltronas que hoje são chamadas de LC1, 2, 3, LC4 etc.

Tenho alguma convicção de que os móveis do trio eram antes de tudo criações de Charlotte. Para tanto, basta vermos que antes de sua passagem Corbu e Jeanneret não produziram mobiliário e depois também não. E ela seguiu fazendo seu equipamento interior no Japão, na Indochina e de volta à França depois da Segunda Guerra foi trabalhar de novo, em outro patamar, com Le Corbusier. Os interiores da Casa do Brasil, na Cidade Universitária de Paris, são de Charlotte Perriand. Realizou outros trabalhos com ele e com o maravilhoso designer francês Jean Prouvé. Morou no Rio de Janeiro e era amiga de Lucio Costa. Há suspeita de que desenhou interiores por aqui, encantada por nossas madeiras e pelo pais...

Hoje ela está mais do que em evidência e museus importantes da Europa dedicam mostras ao seu trabalho. Só que quando entramos em uma loja de móveis e perguntamos de quem é a bela chaise-longue conhecida como LC4, a resposta vem pronta em 9 a cada 10 vezes: é do Le Corbusier. E eu, pesquisadora da moça, respondo prontamente: Corbusier, Jeanneret e Perriand! As patentes destes móveis já caíram em domínio público e são muitos os seus fabricantes. Ninguém vai ganhar ou perder dinheiro com isso. Mas não se pode tirar de um artista sua autoria.


Em tempo: a foto que o apaixonado Jeanneret fez dela em 1929 de certo modo sugere a ligação entre objeto e sua criadora. Recostada, a mignon Charlotte toma posse daquela que é talvez sua mais bela criação.

*Silvana Rubino é antropóloga, um pouco historiadora e trabalha com temas ligados à arquitetura, cidades e patrimônio histórico. Já foi conselheira de órgãos de patrimônio e briga com quem for pra defender prédios, casas e outras coisas da destruição. No momento, escreve uma tese-livro sobre Lina Bo Bardi, Charlotte Perriand e Carmen Portinho, três mulheres que contribuíram para crar nossa idéia de espaço moderno. É professora da UNICAMP e organizou o livro Lina por escrito, que saiu pela Cosac e Naify (2009 e 2011).

♥ A série Clássicos do Design é patrocinada pela Essência Móveis, que tem a LC4, inclusive em miniatura.

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Circuito das Artes do Jardim Botânico 2011

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Deixe o tênis confortável no jeito, porque começa esse fim de semana, no Rio, o Circuito das Artes do Jardim Botânico. E se as oficinas de raku, estamparia em tecidos e aquarela, e todos os ateliês abertos não forem suficientes pra te dar vontadinha de ir, presta atenção:


A Pomona, que faz as pizzas mais pizzas, e mais gostosas que eu tenha provado no Rio, vai montar um QG no evento. Mais um motivo pra aumentar sua vontade? O pão de malte também vai estar lá.

O pão de malte (ou malzbrot) é feito com o bagaço do malte utilizado na fabricação de cerveja. Interessante, curioso e o melhor adjetivo: delícia.

♥ A pop-up da Pomona Pizzas fica no ateliê Nós do Barro, na Pacheco Leão 868, só durante o evento. O Circuito acontece em dois finais de semana: dias 20-21 e 27-28 de agosto.
♥ Oficinas e atividades paralelas | Lista de ateliês

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A casa de Cora Coralina

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No início do ano, a Ana saiu correndo na minha frente, no CCBB. Voltou logo. Mas por que Ana? "Aquela sala é sem graça". Não podia ser, era a mostra de Cora Coralina. Vamos comigo então, e pedi pra ela fechar os olhos.


Então contei pra ela, que Cora Coralina se chamava Ana, e que Cora Coralina era um apelido de faz-de-conta. De verdade era Aninha, quinem ela. E que Aninha morou numa cidade antiga, numa casa à beira da ponte. Poucos pertences, uma máquina de costura, um barulho de rio.


Pensa que você é ela. Te dá vontade de que? Com esse sol claro de cegar os olhos entrando pelas janelas grandes? "De dançar."


Pois poesia é uma forma de dançar. Uma forma antiga de dançar. Um modo quase esquecido de dançar.


E fazer doces, também é outra forma de poesia, mas de um tipo que enche a barriga. (E um pouquinho os bolsos.)


E Aninha era quituteira de primeira. Tem até livro de receitas! Então que ela olhasse de novo, e enxergasse como ela, a vida pela janela, a luz pelo gradil da ponte.


E a Aninha, a minha, saiu de lá dizendo que essa era uma das melhores exposições que já tinha visto. O segredo é como você conta a história. Ou, pra citar: "Poesia... não, um modo diferente de contar velhas histórias."

♥ Tem uma foto da mostra aqui. As fotos que ilustram esse post são desse site.

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Como fazer uma cortina simples

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"Sopa no mel." Nunca entendi essa eca. Faz sentido de verdade não, mas outra coisa faz total sentido: fazer sua própria cortina. Se você tem uma máquina de costura, mesmo que não seja sua e seja só emprestada. Ou então faz quinem eu. Vou contar.

Era 2007 e eu fiz orçamento das minhas cortinas. E soltei um "a dúzia?" quando nenhum orçamento pra nenhuma cortina tinha valor menor que 4, quaaatro, dígitos. Aí pensei "não pode ser tão difícil". E fui pesquisar preço de máquina de costura. E pelo valor de 1 cortina eu comprei a máquina de costura e o tecido suficiente pra umas oito cortinas.

Se eu fiz uma linha reta de cara? Claro que não. Primeiro fiz umas 3 toalhas de mesa de chita, pra treinar a linha reta sem estragos em tecido caro. Mas depois foi mole. Ou torrada na sopa (que é mais gostoso).

Aí agora me meto a ensinar. Não ensinar a costurar exatamente, porque linha reta é treino. Mas ensinar minhas dicas pra você fazer sua própria cortina simples.

O que é preciso? Tecido (pré-lavar) | Tesoura | Fita métrica e trena | Linha | Máquina de costura 

Veja abaixo todas as dicas para medir a quantidade de tecido necessária para uma cortina, de acordo com o tamanho da sua janela. Meça com a trena. Não corte o tecido antes de saber todas as medidas! 


Costure as bainhas laterais, a bainha inferior e a alça para o varão.

Se você não tem destreza na linha reta, passe com o ferro e alinhave tudo, antes de costurar. A costura fica mais bonita e até mais rápida, pois você dificilmente terá costura para desfazer. Caso você queira adicionar outro tecido mais fino, costure as bainhas do segundo tecido, também. Basta fazer a última costura (a da alça do varão) com os dois tecidos juntos.

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